FALAMOS COM ESPECIALISTAS DE DIVERSAS ÁREAS PARA SABER QUAIS OS MAIORES DESAFIOS E TENDÊNCIAS QUE ADMINISTRADORES E EMPREENDEDORES DEVEM ENCONTRAR EM 2017.

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Marcado por instabilidades políticas e econômicas, 2016 não foi um ano fácil. A recessão atingiu todos os setores da economia, e muitos negócios precisaram cortar gastos drasticamente para manter as portas abertas. Com a chegada de um novo ano, entretanto, vem a esperança de um mercado mais favorável. Pensando nisso, falamos com especialistas de diversas áreas para saber quais os maiores desafios e tendências que administradores e empreendedores devem encontrar em 2017.

Embora cada área tenha suas particularidades e problemas específicos, os professores e profissionais do mercado acreditam que o maior desafio de 2017, tanto na carreira como nos negócios, será o mesmo: sobreviver e se manter relevante. Confira abaixo as previsões:

NEGÓCIOS DIGITAIS

Para quem deseja investir nos negócios digitais no próximo ano, o maior desafio será manter a relevância. É o que afirma Diego Carmona, especialista em Marketing para Pequenas e Médias Empresas. “O mundo virtual abre espaços para diversas empresas, independentemente do seu porte, e a briga por atenção é cada vez mais evidente, se destacar será muito importante no próximo ano”, explica. Segundo Diego, todas as empresas já possuem uma certa audiência, mas, para crescer e conseguir uma maior conversão em vendas, é preciso se tornar uma referência para essa audiência. E isso pode ser alcançado através da criação de um conteúdo cada vez mais personalizado para cada cliente.

O especialista acredita que, mesmo que, no geral, clientes tenham um comportamento em comum, dificilmente todas as preferências serão iguais. “Trabalhar cada particularidade dos clientes será o grande trunfo para fidelizar e vender cada vez mais daqui para a frente. Seja na produção de textos, vídeos, e-books, podcasts a entrega de materiais cada vez mais personalizado ajudará na geração e nutrição de leads. Para isso, cada fornecedor precisará investir ainda mais na experiência do usuário, deixando-os mais próximos para conseguir obter mais informações”, aponta.

Como tendência, Diego acredita que a automação de marketing digital ganhará cada vez mais espaço, e aqueles que souberem aproveitar o recurso, terão maiores chances de sucesso. “A automação faz com que os clientes sejam separados automaticamente pelo grau de interesse nos produtos. Os clientes são filtrados no funil de vendas e em cada nível do funil serão impactados por um tipo de conteúdo. Quem está mais propenso a comprar recebe um tipo de informação, quem está menos propenso recebe outro tipo e, ainda, quem não está interagindo uma outra comunicação”, explica o especialista.

As empresas também devem ficar de olho no mobile. Segundo o IBGE, os celulares estão presentes em 80% das casas brasileiras, ultrapassando os computadores que registram 76,6%. Na última Black Friday, 20% das compras realizadas pela internet foi realizada através de dispositivos móveis, número que dobrou, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Por isso, Diego afirma que as empresas que ainda não apostaram nesse tipo de navegação estão perdendo clientes. “Designs responsivos de sites e o carregamento mais rápido das páginas favorecerão para que o site da sua loja seja lembrado na hora de fazer uma compra”, orienta.

GESTÃO

O ano de 2017 prepara algumas novidades para empreendedores que querem apagar o fantasma da crise econômica e alavancar os seus negócios. O professor da Fundação Getúlio Vargas Alexander Baer afirma que o ano trará novas tendências e expectativas positivas para os empreendedores que estão se preparando. Em 2017, ele acredita, a crise financeira deve se estabilizar e as empresas poderão finalmente desafogar o ritmo de perdas, aproveitando picos de crescimento e desenvolvimento ao longo do ano, mas o principal desafio dos empresários será a sobrevivência diante das transformações do mercado e da mudança na economia.

Para Baer, para se dar bem após essa temporada de crise é preciso identificar claramente onde a empresa quer chegar a curto, médio e longo prazo, visando descobrir um foco e um rumo. “É dever do empresário identificar claramente a sua situação atual, referente ao seu ambiente interno (pontos fortes a serem potencializados e pontos fracos fraquezas a serem corrigidas imediatamente), bem como olhar para o mercado externo para identificar as oportunidades existentes. É bom deixar claro que existem sim oportunidades na crise, basta apenas abrir os olhos e procurar, e assim as aproveitar, bem como identificar as ameaças externas também e se defender das mesmas”, orienta Baer.

Além disso, é recomendado que o empreendedor faça sua tarefa de casa ao identificar estratégias que possam alavancar os negócios como, por exemplo, reduzir custo buscando o desperdício base zero. Com isso, é bastante provável que no final do mês sobre dinheiro no caixa, pois ele não vai mais para o ralo. Outra dica é buscar se diferenciar no mercado. “É importante não ser mais um entre a manada. A diferenciação significa preparar toda a sua equipe para encantar ao cliente, pois assim ele vai preferir comprar o seu serviço ou produto com você, mesmo que seja mais caro que os concorrentes”, explica o professor Alexander Baer.

TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO

Apesar do crescimento volumoso em 2016, o setor de Tecnologia da Informação está empolgado com 2017. Considerado por especialistas como uma área fundamental para empresas de pequeno, médio e grande porte, a TI está sendo tratada como um fator propulsor e provedor da competitividade entre mercados. “É por meio da TI que, em geral, ganhamos maior eficiência operacional, poder de tomada de decisões, acesso ao conhecimento, e a novas tecnologias e melhores práticas”, afirma Fábio Túlio, diretor presidente da Jiva, empresa do setor de TI. Para ele, a Tecnologia da Informação é um setor fundamental em mercados emergentes, carentes de tecnologia de ponta e de estratégias que visem segurança, praticidade e economia, como o Brasil.

O setor se destaca, entre outras coisas, por englobar diversas áreas que cobrem empresas de tamanhos e investimentos distintos. A nuvem, por exemplo, tem recebido investimentos constantes, o que resulta na evolução dos processos e, consequentemente, na diminuição do custo para pequenas e médias empresas. Segundo dados da consultoria Gartner, a previsão é que o volume de serviços em nuvem cresça 19,8% em 2017, na comparação com 2016. O aumento da adoção do comércio eletrônico também é um tendência para 2017. “Isso vem se intensificando a cada ano, e está mudando os hábitos dos consumidores. As pequenas empresas, especialmente, que já exploram essas tecnologias, mas ainda de forma tímida, devem intensificar muito o uso do comércio eletrônico, enquanto os Market Places são uma revolução para os pequenos e médios empreendimentos, gerando mais camadas de oportunidades”, afirma Fábio Túlio.

Para o especialista, os investimentos em TI devem ajudar as empresas em tempos de recessão econômica. “As médias empresas já têm consciência de que a adoção de tecnologias é o caminho para sobreviverem no mercado. Em um momento difícil na economia, será a adoção dessas tecnologias e de melhores práticas que vai diferenciar o aumento da competitividade das empresas”, acredita Túlio.

Para os profissionais, a perspectiva do setor também é positiva. Apesar da pequena melhora na quantidade de profissionais capacitados, o mercado de TI em 2017 ainda sentirá falta de mão de obra. Programadores, analistas e desenvolvedores serão disputados por empresas que, na maioria dos casos, devem oferecer bons salários e possibilidades de crescimento. Segundo Túlio, profissões que mesclam visão de negócios com o olhar de TI e que adotam uma perspectiva mais integral e horizontal nas organizações também devem crescer.

MARKETING

O ano de 2017 deve seguir a tendência de foco no marketing digital. Segundo o especialista em marketing Marcos Hiller, o desafio será entender as lógicas do digital, que ainda é cheio de complexidades e apresenta novidades o tempo todo. “O digital pode ser algo menos tendência e mais realidade sim, mas ainda é algo que nos desafia a cada dia”, afirma Hiller. Para ele, a cena digital deve ganhar lógicas algorítmicas ainda mais bem feitas e mais bem construídas. “Com isso, os alcances dos posts de nossas marcas ficarão ainda mais severos e reduzidos”, afirma.

No marketing digital, o especialista e CEO da Agência Mestre Fabio Ricotta, aponta o inbound marketing como uma das tendências de 2017. “Ao longo de 2016 confirmamos que a estratégia é muito sólida e pode gerar ótimos resultados se aplicada da maneira correta. Presenciei um caso em que as vendas de um e-commerce aumentaram 400% usando Inbound Marketing”, ele conta. Ricotta acredita que em 2017 o mercado implementará muito mais a estratégia e, para quem vai começar o próprio negócio, é essencial adquirir uma ferramenta eficiente de gestão de leads – que são os contatos que podem ser transformados em clientes – fazer um planejamento de persona, jornada de compra e desenvolver todos os canais de aquisição.

E para Ricotta, uma das melhores oportunidades para os negócios será investir em vídeos. “Acredito que 2017 será um ano forte para os vídeos, pois a banda larga está sendo disseminada no Brasil, e com mais gente com acesso à internet de qualidade mais vídeos serão consumidos”.

TRIBUTOS

O ano de 2016 não foi fácil para grandes empresas instaladas no país que, por vários motivos diferentes, tiveram que fechar as portas e encerrar as atividades por aqui. O mesmo aconteceu com diversos estabelecimentos de pequeno e médio porte que enfrentaram problemas com tributos cotidianos como o Simples Nacional, por exemplo. A novidade para 2017 é que os endividados no Simples poderão renegociar o pagamento de suas dívidas em condições especiais e em até 120 meses.

No entanto, esse parcelamento não cobre débitos não recolhidos na forma do Simples Nacional com a RFB, estados, Distrito Federal, IPTU, IPVA, etc. Empresas optantes pelo Simples Nacional não podem ter dívidas de natureza tributária, não tributária, previdenciária ou não previdenciário com as Fazendas Públicas federal, estaduais ou municípios cuja exigibilidade não esteja suspensa. Caso o empreendedor tenha dívidas bancários, a recomendação do Sebrae — Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, é que elas se preparem para o processo de renegociação e avaliem como estão os controles financeiros da empresa.

Para isso, é importante avaliar o fluxo de caixa e verificar o valor disponível para a quitação da dívida. No dia da negociação é recomendável levar todas as informações financeiras da sua empresa — como dívidas prioritárias, taxas de juros, prazos e modalidades. Caso a negociação não avance com o seu banco, avalie a hipótese de negociar a portabilidade, ou seja, a possibilidade de outro banco assumir a dívida com melhores condições de pagamento. A orientação do Sebrae é que o empreendedor procure soluções “ganha-ganha”, ou seja, que gere benefícios para ambos os lados.

O Crescer Sem Medo é outro projeto que também deve diminuir a burocracia e as dificuldades dos empresários que estão no Simples Nacional, oferecendo melhores condições para que empresas cresçam sem pagar altos tributos imediatos cobrados pelas categorias de lucro superior ao Simples.

“O principal benefício é eliminar os degraus para a empresa crescer e criar uma rampa suave de crescimento, na qual só vai pagando o imposto progressivamente quando muda de uma faixa para outra. Essa foi a grande inovação. O segundo foi a saída do Simples. Se você saísse do Simples, já cairia no complicado. Então, antes de cair no complicado, tem uma faixa de R$ 3,6 milhões até R$ 4,8 milhões antes da empresa ir para o lucro presumido.”, explicou o presidente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Guilherme Afif Domingos, em entrevista ao Portal Planalto.Os microempreendedores individuais (MEI) também terão aumento no teto anual de faturamento. A partir de 2018, o limite será de R$ 81 mil, ante R$ 60 mil de 2016. O Crescer sem Medo também traz mudanças para os pequenos negócios que atuam na produção de bebidas e no setor de beleza, além de facilitar o processo de exportação de produtos brasileiros.

VAREJO

Para o varejista, o maior desafio em 2017 será manter as portas abertas. Para o consultor especialista em varejo Fred Rocha, o setor ficou muito fragilizado nos últimos anos, e a culpa não foi exclusiva do momento econômico. “Os problemas do varejo são de antes da crise. O varejo está fragilizado porque não está estruturado para atender o consumidor”, afirma.

Fred acredita que, para sobreviver, o varejista precisará investir e atualizar o ponto de venda. “O cliente continua comprando, mas não adianta só abrir a porta e esperar que ele chegue. Ele compra em todo lugar, e não sai mais para comprar. O problema é que muitos varejistas não estão prontos para receber esse esse novo consumidor, ele só tem um ponto de venda para atender esse cliente”, explica o consultor.

Para o consultor, entretanto, o que o varejista precisa no próximo ano é “fazer o básico bem feito”. É preciso refletir sobre o que o negócio promete para o cliente e se ele consegue cumprir essa promessa. Fred ainda afirma que há uma série de perguntas que o varejista deve fazer a si mesmo e levar em consideração para garantir o sucesso do negócio: “A vitrine da loja está organizada e atrativa? Quando o cliente entra na loja, ele é atendido por um vendedor prestativo que tem conhecimento do produto e interesse em ajudá-lo? A loja está limpa, os preços estão bem sinalizados? O mix de produtos está atendendo as demandas do consumidor ou as gôndolas estão lotadas de produtos sem saída e os mais procurados estão em falta?”.

Além de investir em atendimento, o varejista precisa se planejar – e não só para as datas tradicionais. “O varejo precisa trabalhar ações. Cada vez mais o calendário está mais curto, e os varejistas esperam datas como período escolar, páscoa, festa junina, dia das mães, dos pais, das crianças, Natal. É preciso sair dessa sazonalidade comum, planejar ações o ano inteiro”, afirma Fred.

CARREIRA

O ano de 2017 trará com ele muitas expectativas sobre o mercado de trabalho. Ainda pegando o gancho das vagas temporárias do fim de ano, é comum que muita gente busque novos objetivos profissionais no iniciar de um novo ano. Segundo a gestora e orientadora vocacional Andrea Deis, algumas áreas são promissoras para os próximos anos em um cenário com mudanças rápidas e contínuas. “Habitamos hoje em um mundo e amanhã teremos que viver em outro. Olhar atento ao hoje deverá manter sua empregabilidade amanhã”, ela afirma.

Para o ano que chega, Andrea indica algumas áreas que devem ser tendência no mercado de trabalho.

1. A Urbanização e Infraestrutura – Com a população crescente e o espaço geográfico delimitado, cada vez mais os países terão que se preocupar com a sustentabilidade ambiental e a revitalização de seus espaços existentes, onde existirão oportunidades nas áreas de: Urbanismo, Arquitetura e Engenharia para revitalização, Engenharia e Arquitetura Ambiental. Preocupando-se com a energia, água, e bens primários de consumo e sustentabilidade do planeta;

2. Novos consumidores – Com a migração de população do campo para a cidade de forma desordenada, teremos que melhorar a infraestrutura social, educação, saúde e moradia básica para atender esta demanda. Aqui podemos considerar uma oportunidade para os estados e empresários. Não se esquecendo do poder econômico dessa classe social, adequando seus produtos a necessidade do momento.

3. Desenvolvimento do capital humano – Com uma geração mais preocupada com o bem estar, cada vez mais as pessoas estão buscando conhecimentos para desenvolvimento do capital humano, sem se esquecer de que a doença esperada até 2030 é a depressão. Portanto, vemos aqui uma oportunidade no campo de Desenvolvimento do Capital Humano e saúde psicológica. Cada vez mais os recursos humanos terão que estar preparados para o desafio empresarial, altos custos, impostos, falta de mão de obra qualificada, uma empresa pode ter o melhor produto, se não tiver quem o leve para prateleira de nada adiantará. Um país é a representação pela sua população, quanto mais investirmos em capital humano, mais produtivo será nosso país, empresa, casa ou sociedade.

4. Inovação Tecnológica e Robotização – Cada vez mais as empresas estão investindo em processos que possam otimizar custos. As inovações tendem a acontecer em ondas, e cinco potenciais plataformas prometem florescer nos próximos anos: nanotecnologia, biotecnologia/genômica, inteligência artificial, robótica e conectividade onipresente.

5. Geração do ideal – Uma geração muito preocupada com a estética, onde poderão trocar qualquer fator da cadeia primária por um corpo ideal. O nicho de estética promete para os próximos anos, cuidados com a Beleza e saúde estarão em alta. Medicina da beleza, plástica, estética.

fonte: http://www.administradores.com.br/noticias/negocios/planejando-2017-um-guia-para-a-carreira-e-os-negocios/115814/

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