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» Entrevista exclusiva com Mauricio Po
Po faz parte do seleto
time de profissionais do Estúdio Brasil 2010
Mauricio Po, um dos maiores nomes do país em
books fotográficos, fotografia de moda, editorial
e catálogos, falou com exclusividade ao PORTAL PHOTOS
sobre o amor pela profissão, a receita para o sucesso
e o futuro dos books fotográficos. Po, que integra
o seleto time de profissionais convidado para participar
do Estúdio Brasil deste ano, contou ainda detalhes
de sua participação no evento com o workshop “Book
para Profissionais”. Confira!
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Em
primeiro lugar, como surgiu a sua paixão pela
fotografia? Quando a paixão virou profissão?
Cresci dentro de um estúdio e a grande verdade é que nunca dei
muita bola para a fotografia. Não tive esse período de “paixão” que
todos sentem quando descobrem a fotografia. Foi tudo muito natural, quando dei
por mim já trabalhava com isso. É estranho pensar nisso, mas não
tenho uma linha do tempo muito clara na minha cabeça. Quando penso no
passado tenho “flashes” de lembranças de alguns trabalhinhos
do início, coisas bem simples, esporádicas e sem muito comprometimento
- não com relação à qualidade ou responsabilidade
-, mas no sentido de pensar “essa é a minha profissão, preciso/quero
viver disso”. E, de repente, a lembrança mais recente que tenho
já é de uma fase bem mais madura, já vivendo da fotografia.
A fase do “amor” e não da “paixão”.
Em 15 anos de profissão você já produziu mais de
2000 books fotográficos. Qual a receita para tanto sucesso?
Difícil falar em receita, muito mais em sucesso! Acredito que é um
conjunto de fatores. Determinação, paciência, humildade,
vontade de aprender, planejamento, marketing e sorte, é claro! Creio também
que essa ausência da “paixão” tenha contribuído. É ótimo
se apaixonar, mas a paixão nos cega. Acabamos fazendo as coisas sem se
importar com o que, como, quando ou quanto. Tudo o que queremos é simplesmente
fazer! |
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É lindo e maravilhoso
quando duas pessoas se apaixonam. Mas quando essa paixão
vem de um lado só o outro lado não aguenta.
Paixão mútua só existe entre pessoas!
Acho que a fotografia (assim como qualquer outra profissão)
precisa de amantes e não de apaixonados. O amor é mais
racional, Nós amamos o que fazemos, mas temos o
pé no chão, não nos sufocamos, pensamos
mais, vemos os erros e somos capazes de progredir sem trocar
os pés pelas mãos.
O que mais te motiva
a trabalhar com moda e com a beleza?
Muitas coisas. O contato com as pessoas, conhecer histórias, desejos,
sonhos e fazer parte deles, trabalhar com o irreal. A fotografia de moda e
de beleza é pura ilusão. Nada daquilo é real. A modelo
que está na foto não é aquela mesma pessoa que chegou
ao estúdio, o cenário não existe e, muitas vezes quando
existe, é modificado pela produção. Trabalhar com essa
realidade paralela é encantador, tenho muito dessa “realidade
paralela” em mim. Por muitas vezes me pego “na lua”. [Risos].
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O
que você mais gosta de fazer book pessoal ou new
face? E qual a diferença básica entre os
dois tipos de trabalho?
Depende muito do dia e da pessoa que será fotografada. Tem sessões
de fotos pessoais que são muito mais prazerosas que alguns trabalhos comerciais. É incrível
pegar uma menina que não tem a menor pretensão em ser modelo e
vê-la se doando completamente para a foto. A diferença é que
o book profissional (modelo/ator) é mais técnico, existe um padrão
de mercado. “Tem que mostrar assim, desse jeito, dessa forma...” o
que acaba limitando um pouco a vontade própria do fotógrafo. O
pessoal é livre, pode fazer o que quiser, da forma que quiser (desde que
o cliente também queira!). Ambos tem seus prós e contras. Enfim,
não tenho preferência por um ou por outro. |
Você foi palestrante
do Estúdio Brasil 2009 e, neste ano, irá participar
do evento com o workshop “Book para Profissionais”.
O que podemos esperar desse workshop?
Uma imersão total nesse mundo dos books. O Workshop é uma oportunidade
de ver a coisa acontecer mais de perto, de poder fazer parte dela. A ênfase
será na iluminação e na parte que mais “pega” a
galera: a direção de modelos. Um assunto que é tão
temido pelo simples fato de não existir uma fórmula ou um manual.
Vai de cada um, cada fotógrafo tem que descobrir e desenvolver sua forma
de dirigir. Vou bater muito em cima disso.
Os fotógrafos
de moda ainda consideram a magreza como o ponto forte
em uma modelo profissional ou isso tem mudado e outras
características têm predominado?
Eu particularmente não defendo a magreza. Eu sou a favor de se respeitar
o biotipo de cada uma. Existem modelos magrelas incríveis, assim como
existem modelos com mais corpo igualmente incríveis. Acho que para a
fotografia, o importante é a capacidade de a modelo passar a imagem
da foto e não qual manequim ela usa (claro que estou falando dentro
de uma margem).
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Como
você imagina o futuro dos books fotográficos?
Sou muito otimista. É um mercado que já cresceu e ainda tem muito
a crescer. Quando comecei as pessoas não acreditavam, tanto que todo o
foco do meu trabalho era para modelos. O brasileiro não tinha a cultura
de ser fotografado e quando era, a produção do material era de
péssimo gosto!
Hoje, esse cenário mudou. De uns dois anos para cá, mais da metade
dos meus clientes são pessoas comuns querendo fazer um book para recordação,
mas nos moldes dos books profissionais. Querem se sentir modelos, querem ter
a foto “capa de revista” como dizem.
Para isso, é fundamental estar dentro do mercado da moda, o cliente está muito
exigente. Tem muita gente oferecendo book - talvez hoje o mercado de book seja
um dos que tenham mais fotógrafos atuando. Por outro lado, a grande maioria
tem um estilo muito pobre, conhecimento “zero” de moda, de tendência,
de tratamento e principalmente de linguagem.
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