11/jul/2011
- Conheça o N9, o primeiro e talvez último
MeeGo da Nokia
Uma das telas
iniciais do MeeGo traz todos os ícones
de aplicações instalados no smartphone
EMILY CANTO NUNES
Terra
Em 9 de fevereiro deste ano,
há exatos cinco meses,
surgia o boato de que a Nokia, a maior fabricante de celulares
do mundo, estava abandonando o MeeGo, sistema operacional
que desenvolvia em parceria com a Intel. Dois dias depois,
em 11 de fevereiro, a Nokia anunciou oficialmente um "amplo
acordo estratégico" com a Microsoft para trabalhar
em um novo sistema conjunto baseado no Windows Phone, que
concorra com o iOS, da Apple, e o Android, do Google. No
entanto, desde lá, nenhum smartphone Nokia com o
sistema da Microsoft apareceu por aí, mas com o
MeeGo já, o N9, inclusive no Brasil, mais especificamente
em Porto Alegre, durante o fisl12 - Fórum Internacional
Software Livre, no estande da Intel.
O MeeGo é um sistema operacional para dispositivos
móveis de código aberto - ou seja, um software
livre, motivo pelo qual estava presente no fisl12 -, de
distribuição Linux e foi anunciado pela Intel
e pela Nokia durante o Mobile World Conferece de 2010.
Ele nasceu da união do Moblin, da Intel, e do Maemo,
da Nokia, e funciona não apenas em smartphones,
mas também em netbooks, tablets, desktops, sistemas
de navegação automotiva e até em SmartTVs.
Mesmo sem contar com o apoio da Nokia, que só neste
ano ainda lançará smartphones com MeeGo e
Symbiam - sua plataforma desde sempre -, o MeeGo não
foi totalmente abandonado pela finlandesa. A interface
de usuário do framework do sistema operacional são
baseadas em Qt, tecnologia nas mãos da Nokia desde
a aquisição da Trolltech, em 2008. De acordo
com Helio Chissini de Castro, desenvolvedor da Collabora,
empresa baseada em Cambridge, no Reino Unido e que trabalha
no projeto MeeGo, a Qt é o segundo motivo para Nokia
e Intel estarem juntas no mesmo estande, além do
Nokia n9 com MeeGo, é claro.
Segundo o desenvolvedor que reside em Florianópolis
(SC), o diferencial do sistema operacional é na
verdade sua essência. "O MeeGo é Linux
de verdade, ele está hospedado dentro da Linux Foundation,
ninguém é proprietário, nenhuma empresa é dona.
Não é como o Android, que é Linux,
mas tem uma máquina virtual Dalvink e um Java modificado
rodando em cima. Além disso, eles dizem que o Android é aberto,
mas só abrem para os desenvolvedores na época
do lançamento, e a versão para tablet, a
3.0, ainda não está liberada", disse
ele ao Terra.
Na opinião de Helio, o MeeGo tem espaço na
medida em que é um sistema de ponta à ponta,
de smartphones à sistema de navegação
de carros, e que por usar Qt permite que os desenvolvedores
criem uma só aplicação que poderá ser
usada em diversos aparelhos e sistemas. "Eu quero
vender minha aplicação para todo mundo. O
custo de ter desenvolvedores que façam programas
para três plataformas é enorme para as empresas",
comenta.
Quanto ao futuro do MeeGo sem a Nokia, mas ainda com a
Intel, Helio contou que a Toyota terá carros com
o sistema, que a LG já mostrou interesse e que há rumores
de um smartphone com MeeGO. Para logo, os consumidores
podem esperar ver tablets com MeeGo e até uma possível
parceria com a Samsung. Além da Intel, também
a AMD e ARM, concorrentes da Intel no mercado de chips,
estão interessadas no projeto.
Nokia N9, um Nokia com MeeGO
Apresentado em 21 de junho em Cingapura, o Nokia N9 é amor à primeira
vista para quem sempre foi fã de aparelhos da finlandesa.
O smartphone é o sucessor do N900 e usa uma interface
nova, baseada em toques, para mostrar suas telas e aplicativos.
Tudo isso graças ao MeeGo. Com tela AMOLED de 3,9
polegadas e vidro Gorilla Glass (aquele ultrarresistente)
curvo, para que o usuário sinta onde a tela começa.
O Nokia N9 não tem nenhum botão frontal.
Os únicos botões ficam na lateral direita,
de volume e para bloquear/desligar o dispositivo.
Com uma interface baseada em "swipes" - no deslizar
das pontas dos dedos -, ele parece menos responsivo do
que os touchscreen mais comuns, mas é tudo uma questão
de adaptação. Alguns minutos com o N9 na
mão e eu estava acostumada: melhor um toque preciso
que abre exatamente o que estamos querendo do que um toque
que abre mais de uma aplicação ao mesmo tempo
de tão sensível que é (ou de tão
atrapalhado que o usuário é).
As configurações técnicas também
satisfazem: processador de 1 GHz, opções
de armazenamento de 16 GB ou 64 GB, conectividade 3G/Wi-Fi/Bluetooth
e NFC (Near Field Communications, para troca de dados entre
aparelhos compatíveis), som Dolby Digital Plus e
Dolby Headphone, o que proporciona uma experiência
de som ambiente para qualquer conjunto de fones de ouvido,
câmera de 8 megapixels com lentes Carl Zeiss e câmera
frontal (que por enquanto não está funcionando).
Além de resistente e bonito, uma versão melhorada
do Nokia N8, ele é leve e traz o MeeGo, que mesmo
já sendo novo para o usuário já está no
nível do iOs e do Android, e bem longe do Sybiam. "Ele é orientado
para o uso pessoal, dá bastante atenção
ao que o usuário acessa, ao fato dele não
conseguir acompanhar tudo o tempo todo", comenta Helio
Chissini de Castro.
E difícil dizer se o MeeGo é um sistema da
força que tem o Android, do Google, e o iOS, da
Apple, mas aparentemente, pode-se dizer que ele tem potencial.
A fonte utilizada pode parecer pequena, mas é bastante
nítida. Bastante intuitivo, com botões (na
tela) onde o usuário espera encontrar, o MeeGo tem ícones
que lembram os do iOS, mas outras funcionalidades que remetem
ao Android, como a cortina de notificações.
Outra referência é a plataforma da BlackBerry,
do RIM: o MeeGo possui uma página de notificações,
a cortina, de todos os tipos: Twitter, mensagens de SMS,
Facebook, e-mail, feeds e o que mais o usuário desejar
ser avisado. A lista de aplicativos compatíveis
com o N9 divulgada pela Nokia inclui Facebook, Skype, Vimeo,
Twitter, Foursquare, AP Mobile, AccuWeather, Wi-Fi Hotspot
e Angry Birds Magic, além de acesso à loja
Ovi/Nokia Store para download de novos apps.
Uma diferença do MeeGo para seus concorrentes é a
home, com ícones de todas as aplicações
e que é uma de suas três telas iniciais. A
segunda traz os programas abertos, como se fossem páginas,
e a terceira, data e hora. De acordo com Helio Chissini
de Castro, os aplicativos não ficam rodando o tempo
todo. "Ele guarda um contexto, que fica em espera,
e recupera quando o usuário abre", explica
ele, que contou também que já testou o smartphone
com mais de 20 aplicações abertas. Para quem
está acostumado com o padrão Windows, de
ter atalhos na área de trabalho, e também
em seu dispositivo móvel, seja ele Android ou iOS,
ter uma home com tudo pode parecer assustador, mas Helio
afirma: "não somos mais nós que ditamos
a tendências, são nos adolescentes de 15 anos
que os fabricantes estão interessados, eles são
o mercado". É possível mudá-los
de lugar e excluir alguns, que não são de
sistema, mas priorizar, não. Como não sou
mais adolescente, confesso que prefiro escolher os ícones
da minha home.
Segundo a Nokia, o N9 estará disponível ainda
este ano em três cores (preto, azul e magenta), mas
não divulgou o preço. A subsidiária
brasileira já informou que não há previsão
de lançamento para o Brasil por enquanto, ainda
que o MeeGo já tenha uma versão em português.
Por enquanto, dá para ter uma ideia do que seria
uma linha da Nokia com MeeGo em http://swipe.nokia.com/.
Ah, e importante, durante toda a apresentação
do Nokia N9 com MeeGo 1.0 (o sistema já está na
versão 1.3, que deve ser lançada em breve),
o aparelho não travou nenhuma vez.